Para a ternura que ficou!
Sonhei contigo, como quem reencontra uma memória viva que o tempo tentou apagar — mas não conseguiu.
No sonho, eras real. Tinhas rosto, voz, presença.
E o mais estranho é que eu sentia tudo como se fosse agora, como se o tempo não tivesse passado, como se ainda estivéssemos ali… onde tudo era leve e não sabíamos da saudade que viria.
Não sei se te lembras de mim.
Não sei onde estás, o que fazes da vida, se ainda és quem eras ou se te tornaste outro.
Mas sei que, mesmo sem saber, foste a pessoa com a ternura maior no olhar ..e o no teu sorriso!!
Havia em ti uma delicadeza silenciosa, uma forma de estar que não exigia palavras para se fazer sentir.
Tu não sabias, mas bastava a tua presença para acalmar alguma coisa em mim.
Foste abrigo — mesmo sem saber que eu precisava de um.
Talvez a vida nos tenha afastado cedo demais.
Talvez nem tenhas sabido o quanto me marcaste.
Mas hoje, tantos anos depois, num simples sonho, foste mais real do que muitos que passam por mim todos os dias.
E isso diz tudo.
Fica aqui esta pequena homenagem, este sussurro que talvez o vento leve até ti — ou talvez não.
Mas para mim, já basta ter sentido outra vez.
Porque a ternura que deixaste…
ainda vive em mim.

