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TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

Fragmentos de poesia!!

Calimero, 20.04.21

Ontem enviaram-me varios excertos de poesia!

Quem bem me conhece, sabe deste meu lado que me alimenta a alma!

Deixo aqui este para ficar guardado aqui na minha caixinha de Pandora como gosto de lhe chamar!

"Regresso devagar ao teu sorriso com quem volta a casa.

Faço de conta que não é nada comigo.

Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas que me prendem, uma tarde num café, um livro.

Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,

regresso devagar a tua casa, compro um livro,

entro no amor com em casa!"

 

 

Aguardo-te!

Calimero, 19.04.21

Quando recuamos, 

como o sol recua atrás dos montes distantes
não te sei perder.
é uma conclusão simples mas simples são
também os processos naturais: a chuva que cai
a flor que cresce.
e por vezes é preciso recuar
e alcançar o abrigo
como o pastor alcança o rebanho no meio da serra.
é preciso aguardar a noite e clarificar o dia.
porque a clarividência é um dom
como os regatos que serpenteiam a terra
o são para
os pequenos seres que os rodeiam.
e eu guardo-te e aguardo-te
como o sol se aguarda nas leves planícies
quando a noite se põe.
 
André Tomé
 

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Colhe as flores...!!!

Calimero, 16.04.21

Trago-te o perfume das flores e a lembrança das palavras.

Os teus olhos continuam meus, como da primeira vez em que sonhámos que o mundo nos iria ver chegar ao romper daquela madrugada de primavera.

As pétalas foram sempre tuas, sabes? Como o meu coração passou a ser, quando me abraçaste junto ao mar.

Mais logo, quando o dia acabar e o sol desaparecer, aproxima-te das flores.

Se fechares os olhos, o seu perfume vai trazer-te a lembrança do som das ondas e da brisa que sussurrava enquanto caminhávamos descalços na areia que era só nossa.
 
Antes de adormeceres, terás a certeza de que te amarei para sempre.
 
 
(Jose Rodrigues)
 

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Talvez não saibas...!

Calimero, 15.04.21

Talvez não saibas

Mas dormes nos meus dedos

De onde fazem ninhos as andorinhas

E crescem frutos ruivos e há segredos

Das mais pequenas coisas que são minhas

Talvez tu não conheças, mas existe

Um bosque de folhagem permanente

Aonde não te encontro e fico triste

Mas só de te buscar fico contente

Ao meu amor quem sabe se tu sabes Sequer,

se em ti existe, ou só demora

Ou são como as palavras essas aves

Que cantam o teu nome e a toda a hora

Talvez não saibas, mas digo que te amo

A construir o mar em nossa casa

Que é por ti que pergunto e por ti chamo

Se a noite estende em mim a sua asa

Talvez não compreendas, mas o vento

Anda a espalhar em ti os meus recados

E que há por do sol no pensamento

Quando os dias são azuis e perfumados

Oh meu amor quem sabe se tu sabes Sequer,

se em ti existe, ou só demora

Ou são como as palavras essas aves

Que cantam o teu nome e a toda a hora

Joaquim Pessoa

 

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Tomara...!!!

Calimero, 12.04.21

Tomara

 
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
 
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
 
Vinicius de Moraes
 

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Dia mundial da poesia

Calimero, 21.03.21

Quando a ternura for a única regra da manhã.

 

Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. 

A tua pele será talvez demasiado bela. E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.

Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada

de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. 

Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

 

José Luís Peixoto

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Abraça-me!!!

Calimero, 19.03.21
Abraça-me.
Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.
Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas.
Abraça-me.
Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida.
 Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.
Abraça-me.
Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me.
Uma vez só.
Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

(Joaquim Pessoa, in "Ano Comum")
 

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Sementes!

Calimero, 12.03.21

Nem sempre o silêncio é sinal de nada a dizer

Simplesmente dispenso plateias e luzes de ribalta
Porque o meu peito somente quer amor
Os meus baús só carregam memórias
O meu futuro flutua e é lá que estão os meus sonhos
 
Fiz desta fantasia a realidade da minha vida
E os meus sorrisos ainda me pedem para nascer
Por isso, já não irei mais remexer os meus silêncios
Alimentar-me-ei somente de cheiros suaves
Hoje é o presente e eu não quero ficar ausente
 
Semear amor é querer viver em amor
E nada voltará a ser como era dantes
Mas tudo pode ser melhor como nunca foi
Porque para trás ficam amores e desamores
Assim como palavras cansadas e estradas erradas
 
Hoje deito na terra sementes de paixão
Procuro a liberdade das fontes que renascem das pedras
Abro as janelas e deixo o vento entrar
E voo em busca de ninhos que me dão colo
Numa perfeita melodia de sedução e de luxuria
 
Por vezes, questiono-me de que cor serão os meus sonhos
Ou então como será a vida dum pássaro sem pouso
Já não voo nos céus da ilusão
Nem nunca serei um eco vazio de vida
E os meus pesadelos deixaram de ter nome
 
Quando o teu corpo solta borboletas no ar
Crescem-me sentimentos lascivos no olhar
Mas existem dias em que tudo parece uma teia
Que se confundem com a folha em branco dum poema árido
E depois, depois dou comigo a sonhar-te
 
 
11.03.2021
JCC
 

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(imagem retirada net)

 

Ou me toca..ou nao toca!

Simples assim..!!!

Calimero, 10.02.21

Sou composta por urgências: 

minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito, 
eu só vivo nos extremos.
 
Pouco não me serve, 
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte! 
 
Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.
 
Suponho que me entender 
não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, 
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
 
(Clarice Lispector)
 

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Noite que me sobra”

Calimero, 01.02.21
Queria traduzir os silêncios
que te borbulham entre os dedos,
enganar os compassos mortos,
soltar as vontades presas
e costuradas no parapeito do coração.
 
Queria beijar essa boca
que só em prova se sente,
chover no molhado do teu cheiro
e acender o fogo que sopra o amor
na ternura dos lençóis de cetim.
 
Queria fazer outro caminho
contigo e no teu corpo,
soltar os poros da alma
e colher frutos de êxtase
num pomar de carinho.
 
Queria amanhecer contigo
e nas brechas do desalinho do tempo
dissolver o sono que me roubas,
porque é tanta a noite
que me sobra nos braços!
 
( © António Carlos Santos )
 
 

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