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TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

"De novo as sombras e as calmas"

Calimero, 28.08.20
Escrevias pela noite fora. 
 
Olhava-te, olhava 
o que ia ficando nas pausas entre cada 
sorriso. 
Por ti mudei a razão das coisas, 
faz de conta que não sei as coisas que não queres 
que saiba, acabei por te pensar com crianças 
à volta.
Agora há prédios onde havia 
laranjeiras e romãs no chão e as palavras 
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua 
que foi comum, o quarto estreito. Um livro 
é suficiente neste passeio.
Quando não escreves 
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio 
é maior..
Queria prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio 
da semana...
Pudesse eu propor-te vida menos igual, outras iguais obrigações. 
 
Havias de rir, sair à rua, comprar o jornal. 
 
Helder Moura Pereira, 
in “De Novo as Sombras e as Calmas" (c/ supressões)
 

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Cada lugar teu!

Calimero, 20.08.20

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

(Mafalda Veiga)

 

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(imagem retirada da net)

 

 

Perguntei ao vento...

Calimero, 19.08.20

Perguntei ao vento se virias, mas o vento disse-me que só agita as folhas das árvores e as velas dos moinhos e as velas dos barcos.

Perguntei ao mar revolto se virias, mas o mar só me falou de rios e de marés e de luas.

Perguntei ao sol de quantos sóis precisaria o teu regresso, mas o sol disse-me que só doira as planícies e amadurece os frutos.

Perguntei ao peregrino que vinha de longe se te encontrou pelo caminho, mas ele disse que o caminho nem sempre vem ao nosso encontro.

Perguntei ao meu coração se virias e ele respondeu-me que não chegaste a partir, mesmo que não voltes.

(lado.a.lado)

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Por vezes..as palavras!!

Calimero, 17.08.20
Por vezes somos
feitos de palavras…
palavras inaudíveis,
palavras que se apagam,
palavras que se inventam,
palavras de destino incerto,
outras vezes murmúrios
feitos poesia.
Poesia forjada em sonhos,
ecos de madrugada,
versos de entardecer,
prolongamento de luz,
disfarçada nesta carne
que nos liga à alma,
meras palavras…
 
Por vezes, sem palavras
somos lágrimas,
lágrimas naufragadas
nas ondas de vida,
no mar de gritos sufocados
e nos vergões da alma.
 
Por vezes não somos
mais do que barulho,
barulho em forma
de duas solidões
na palma de uma mão
e fio de sentir
no fim da estrada,
em palavras que não sei dizer…
 
© António Carlos Santos
 

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(imagem retirada net)

 

Para ti!

Calimero, 13.08.20

Foi para ti 
que desfolhei a chuva 
para ti soltei o perfume da terra 
toquei no nada 
e para ti foi tudo 

Para ti criei todas as palavras 
e todas me faltaram 
no minuto em que talhei 
o sabor do sempre 

Para ti dei voz 
às minhas mãos 
abri os gomos do tempo 
assaltei o mundo 
e pensei que tudo estava em nós 
nesse doce engano 
de tudo sermos donos 
sem nada termos 
simplesmente porque era de noite 
e não dormíamos 
eu descia em teu peito 
para me procurar 
e antes que a escuridão 
nos cingisse a cintura 
ficávamos nos olhos 
vivendo de um só 
amando de uma só vida. 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas" 

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Se tu me amas...

Calimero, 12.08.20
Se tu me amas 
que seja de mansinho, 
com o jeito macio 
das noites de aconchego, 
com a ternura demorada 
das mãos de seda,
com a subtileza 
das bolas de sabão.
 
Se tu me amas 
que seja pelo Amor, 
que seja pelo meu sorriso 
enamorado, 
pelos meus olhos brilhantes,
pelos nossos beijos de jasmim.
 
Se tu me amas,
que seja por ti.
 
Se tu me amas,
que seja por mim.
 
 
#oRapazDoAmor
 
 

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Memorias!

Calimero, 05.08.20
“Lembro-me de ti, sabes? A cada segundo que passa.

A saudade ocupou o vazio que deixaste no meu peito, mas por maior que a saudade seja, será sempre mais pequena que o vazio.

Afinal, a memória é do tamanho do mundo, mas, quando inclui o coração, ultrapassa também o outro...” ❤️

 

Jose Rodrigues