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TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

Talvez não saibas...

Calimero, 24.02.14

Talvez não saibas

Mas dormes nos meus dedos

De onde fazem ninhos as andorinhas

E crescem frutos ruivos e há segredos

Das mais pequenas coisas que são minhas

Talvez tu não conheças, mas existe

Um bosque de folhagem permanente

Aonde não te encontro e fico triste

Mas só de te buscar fico contente

Ao meu amor quem sabe se tu sabes Sequer,

se em ti existe, ou só demora

Ou são como as palavras essas aves

Que cantam o teu nome e a toda a hora

Talvez não saibas, mas digo que te amo

A construir o mar em nossa casa

Que é por ti que pergunto e por ti chamo

Se a noite estende em mim a sua asa

Talvez não compreendas, mas o vento

Anda a espalhar em ti os meus recados

E que há por do sol no pensamento

Quando os dias são azuis e perfumados

Oh meu amor quem sabe se tu sabes Sequer,

se em ti existe, ou só demora

Ou são como as palavras essas aves

Que cantam o teu nome e a toda a hora

Joaquim Pessoa

 

Dia 242!

Calimero, 19.02.14

Houve uma ilha em ti que eu conquistei.

Uma ilha num mar de solidão.

Tinha um nome a ilha onde morei.

Chamava-se essa ilha Coração.

Que saudades do tempo que passei.

Nenhum desses momentos foi em vão.

Do teu corpo, de ti, já nada sei.

Também não sei da ilha, não sei, não.

Só sei de mim, coberto de raízes.

Enterrei os momentos mais felizes.

Vivo agora na sombra a recordar.

A ilha que eu amei já não existe.

Agora amo o céu quando estou triste por não saber do coração do mar.

Joaquim Pessoa, in Ano Comum

 

Cheiros e Aromas...

Calimero, 14.02.14

 "

Não é à toa que cheiras a rosmaninho e a ervas raras…

Não é a toa que te sigo, para onde quer que vás e te espero, impaciente, quando demoras nessas tuas viagens que fazes dentro de ti, deixando-me indefesa, quase menina…

Um dia, disseste-me, em silêncio, só com a luz dos teus olhos, o quanto me querias.

E foi nesse dia, que eu percebi que os teus olhos, esses olhos que me enfeitiçam, não são mais, do que dois pedacinhos da tua alma…

Como pode a tua alma ser visível, perfumada e brilhante?

E eu, como posso eu deixar de querer morrer nos teus braços, se é neles que renasço quando o teu corpo repousa ao meu?

Como posso eu querer-te se não és nem de mim, nem de ninguém?

Como posso eu morar em ti, se a tua alma não tem poiso, nem moradia?

Não é à toa que cheiras a rosmaninho e a ervas raras..."

 

Ana Fonseca da Luz

 

Cumplicidades...

Calimero, 11.02.14

As confidências demoram-se no céu da boca como as nuvens lentas do Outono.

Sopro-as, para que o céu se limpe e apenas uma névoa vaga se cole ao que me queres dizer; mas encostas-me os lábios ao ouvido e tu, sim, é que me contas que céu é este, e de onde vêm as nuvens que o cobrem.

Sentimentos, emoções, paixões, interpõem-se entre cada frase.

Nem há outros assuntos quando nos encontramos, e me começas a falar, como se fosse o coração a única fonte do que dizemos.

Nuno Júdice

 

Explicação da Eternidade..

Calimero, 07.02.14


Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão