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TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

Tomara...!!!

Calimero, 12.04.21

Tomara

 
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
 
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
 
Vinicius de Moraes
 

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Dia mundial da poesia

Calimero, 21.03.21

Quando a ternura for a única regra da manhã.

 

Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. 

A tua pele será talvez demasiado bela. E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.

Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada

de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. 

Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

 

José Luís Peixoto

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Abraça-me!!!

Calimero, 19.03.21
Abraça-me.
Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.
Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas.
Abraça-me.
Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida.
 Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.
Abraça-me.
Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me.
Uma vez só.
Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

(Joaquim Pessoa, in "Ano Comum")
 

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Sementes!

Calimero, 12.03.21

Nem sempre o silêncio é sinal de nada a dizer

Simplesmente dispenso plateias e luzes de ribalta
Porque o meu peito somente quer amor
Os meus baús só carregam memórias
O meu futuro flutua e é lá que estão os meus sonhos
 
Fiz desta fantasia a realidade da minha vida
E os meus sorrisos ainda me pedem para nascer
Por isso, já não irei mais remexer os meus silêncios
Alimentar-me-ei somente de cheiros suaves
Hoje é o presente e eu não quero ficar ausente
 
Semear amor é querer viver em amor
E nada voltará a ser como era dantes
Mas tudo pode ser melhor como nunca foi
Porque para trás ficam amores e desamores
Assim como palavras cansadas e estradas erradas
 
Hoje deito na terra sementes de paixão
Procuro a liberdade das fontes que renascem das pedras
Abro as janelas e deixo o vento entrar
E voo em busca de ninhos que me dão colo
Numa perfeita melodia de sedução e de luxuria
 
Por vezes, questiono-me de que cor serão os meus sonhos
Ou então como será a vida dum pássaro sem pouso
Já não voo nos céus da ilusão
Nem nunca serei um eco vazio de vida
E os meus pesadelos deixaram de ter nome
 
Quando o teu corpo solta borboletas no ar
Crescem-me sentimentos lascivos no olhar
Mas existem dias em que tudo parece uma teia
Que se confundem com a folha em branco dum poema árido
E depois, depois dou comigo a sonhar-te
 
 
11.03.2021
JCC
 

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(imagem retirada net)

 

Ou me toca..ou nao toca!

Simples assim..!!!

Calimero, 10.02.21

Sou composta por urgências: 

minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito, 
eu só vivo nos extremos.
 
Pouco não me serve, 
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte! 
 
Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.
 
Suponho que me entender 
não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, 
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
 
(Clarice Lispector)
 

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Noite que me sobra”

Calimero, 01.02.21
Queria traduzir os silêncios
que te borbulham entre os dedos,
enganar os compassos mortos,
soltar as vontades presas
e costuradas no parapeito do coração.
 
Queria beijar essa boca
que só em prova se sente,
chover no molhado do teu cheiro
e acender o fogo que sopra o amor
na ternura dos lençóis de cetim.
 
Queria fazer outro caminho
contigo e no teu corpo,
soltar os poros da alma
e colher frutos de êxtase
num pomar de carinho.
 
Queria amanhecer contigo
e nas brechas do desalinho do tempo
dissolver o sono que me roubas,
porque é tanta a noite
que me sobra nos braços!
 
( © António Carlos Santos )
 
 

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Saudade...a palavra do Ano!

Calimero, 20.01.21

Quero falar-te sobre saudade.

 
Sim, aquele sentimento que ocupa o vazio que fica depois da perda ou distância de alguém.
Quero que saibas que a saudade que tenho de ti, mesmo sendo do tamanho do mundo, não consegue ocupar o vazio que me deixaste ficar por não te poder abraçar.  
 
E por cada novo passo que dou, por cada nova incerteza, tenho também medo que o tamanho da saudade que tenho de ti possa nunca diminuir, por mais que o tempo passe. Sem me ter pedido licença, foi no meu coração que se instalou a tua ausência e ainda não me confirmou se algum dia partirá.
 
Chegou depressa demais, a saudade que tenho de ti. Mas chegou. Como um raio estrondoso e súbito, como o voo de um falcão peregrino ou de um mergulho de albatroz num mar revolto, sôfrego pelo cardume de peixe.
 
Agora, carrego essa saudade no peito, mas sei que será nesse lugar onde a felicidade vai morar, quando voltares a estar à distância de um abraço.
 
E é por isso que eu te peço que não fiques triste, por te falar de saudade.
 
Talvez o mundo rode ao mesmo ritmo do destino e talvez nada aconteça por acaso.
Talvez a nossa distância seja apenas um detalhe da longa caminhada da felicidade, e a saudade uma prova de que o mais importante da nossa viagem é e sempre foi, afinal, o mais simples.
 
Sabes, existe um sentido que tem a ver com o grau de imprevisibilidade de cada uma das nossas horas de vida e, por isso mesmo, a saudade me queira lembrar do quanto eu preciso de ti, em cada segundo que o meu coração bate.
 
Também te quero falar sobre esperança.
 
Dizer-te que esta rajada de vento se transformará numa leve brisa e que o mar se voltará a acalmar, terminado o temporal que te levou para longe de mim. 
 
Quanto isto acontecer, o sol voltará a brilhar e regressará a beleza de cada um dos nossos dias de liberdade.
 
Prometo que ficarei perto de ti, pondo fim à saudade que o meu peito carrega.
 
Autor: José Rodrigues
 

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Se eu pudesse...

Calimero, 14.01.21

.." deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos."
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentavámo-nos a lareira a conversar explicava-te porque é que um dia reparei que existias e sem querer me esqueci do meu coração entre os teus dedos.
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver.
Um dia havemos de nos entender."
"MRP"

 

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Quem me quiser...!

Calimero, 12.01.21

Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

... Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato Faria

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