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TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

TERAPIA DAS PALAVRAS...

Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido..!

Nada me perguntes..

Calimero, 15.09.20

Não me perguntes,

porque nada sei

Da vida,

Nem do amor,

Nem de Deus,

Nem da morte.

Vivo,

Amo,

Acredito sem crer,

E morro, antecipadamente

Ressuscitando.

O resto são palavras

Que decorei

De tanto as ouvir.

E a palavra

É o orgulho do silêncio envergonhado.

Num tempo de ponteiros, agendado,

Sem nada perguntar,

Vê, sem tempo, o que vês

Acontecer.

E na minha mudez

Aprende a adivinhar

O que de mim não possas entender...

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 Miguel Torga

Lá fora..

Calimero, 13.09.20

Lá fora todos os dias

são o rosto deste março 

Longe das flores o mar

não tem janelas descerradas

e o vento lavra gaivotas

que tocam suavemente

violinos nos teus olhos.

 

Lá fora as tuas mãos abertas

acariciam a cor das areias e

desdobram versos nos dedos

em rendas de frágeis neblinas. 

E em cada soluço da tua pele a

água semeada sopra o teu nome.

 

Lá fora o mundo que sabe a sal

acaba sempre ali, no lugar em

que carregas no colo, os silêncios.

© António Carlos Santos

 

 

Hoje Quero Falar de Amor

Calimero, 09.09.20

Hoje, quero dizer o quanto te amo, o quanto te quero o quanto és importante nessa vida errante no meu sonho de Amor.

Querem que eu fale de amor como, se não bastasse, o que trago no peito sem ter mais a minha dor.

Dor passada, fugidia que resolveu me abandonar.

Nem sei porquê. Eu a procuro, não acho.

Foi pra outras plagas me deixando feliz para poder compor meus novos versos de Amor!

Eda Carneiro da Rocha

 

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A dor que me deixaste!

Calimero, 04.09.20

Hoje vou buscar-te mais perto, estás quase aí, mas não consigo tocar-te.

Afinal as pessoas existem dentro e fora de nós (e hoje penso que dentro de mim tens sido mais belo do que aí fora), foste o que és também pelo meu olhar, que te cobriu de mantos de afecto; fiz-te príncipe dentro de mim; galgando os muros do teu ser quis lá colocar flores, cores lindas e uma água de amor transbordante.

Inebriava-me o cheiro dessas flores, agora tuas, o sorriso dessas cores iluminadas; sentia-me inundada pelos braços e pelas mãos dessa água, onde me perdia tanto....hoje puxo suavemente esse manto mágico com que te cobri e, receosa, descerro as pálpebras devagar para te olhar – és belo, és parte daquele tu de antes e a parte que te falta sou eu...sou também eu, na leitura que de ti faço; onde e quando te ponho entoações, sentidos, intenções e até pensamentos e sonhos – sim, consigo pôr...-te a sonhar dentro de mim e lá, eu sonho que tu sonhas...comigo.

Mas quando olho para fora e procuro a tua mão com a minha, ela não está lá, como não está o teu olhar para se cruzar com o meu.

Onde estás, afinal, se no sonho que eu via em ti era comigo que sonhavas?!

Tu davas-me a esperança deste sonho e essa esperança fazia-me desenhar esboços de um desejo que era a dois, mas que afinal não passou de um caminho a um, eu.

Apenas comunguei verdadeiramente contigo no espaço da subjectividade em que eu adivinhava e lia em ti emoções, afectos, mas foi tão-somente aí.

Fora de mim não estavas para mim.

Quando penso assim, dói-me ainda e então prefiro cobrir-te com aquele manto e mantê-lo com as mãos, segurá-lo para que não escorregue e te empobreça.

Quando dói parece que faz frio...deixa-me cobrir-te.

(Maria João Saraiva, in a A Dor que me deixaste)
 

"De novo as sombras e as calmas"

Calimero, 28.08.20
Escrevias pela noite fora. 
 
Olhava-te, olhava 
o que ia ficando nas pausas entre cada 
sorriso. 
Por ti mudei a razão das coisas, 
faz de conta que não sei as coisas que não queres 
que saiba, acabei por te pensar com crianças 
à volta.
Agora há prédios onde havia 
laranjeiras e romãs no chão e as palavras 
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua 
que foi comum, o quarto estreito. Um livro 
é suficiente neste passeio.
Quando não escreves 
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio 
é maior..
Queria prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio 
da semana...
Pudesse eu propor-te vida menos igual, outras iguais obrigações. 
 
Havias de rir, sair à rua, comprar o jornal. 
 
Helder Moura Pereira, 
in “De Novo as Sombras e as Calmas" (c/ supressões)
 

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Cada lugar teu!

Calimero, 20.08.20

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

(Mafalda Veiga)

 

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(imagem retirada da net)

 

 

Perguntei ao vento...

Calimero, 19.08.20

Perguntei ao vento se virias, mas o vento disse-me que só agita as folhas das árvores e as velas dos moinhos e as velas dos barcos.

Perguntei ao mar revolto se virias, mas o mar só me falou de rios e de marés e de luas.

Perguntei ao sol de quantos sóis precisaria o teu regresso, mas o sol disse-me que só doira as planícies e amadurece os frutos.

Perguntei ao peregrino que vinha de longe se te encontrou pelo caminho, mas ele disse que o caminho nem sempre vem ao nosso encontro.

Perguntei ao meu coração se virias e ele respondeu-me que não chegaste a partir, mesmo que não voltes.

(lado.a.lado)

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Por vezes..as palavras!!

Calimero, 17.08.20
Por vezes somos
feitos de palavras…
palavras inaudíveis,
palavras que se apagam,
palavras que se inventam,
palavras de destino incerto,
outras vezes murmúrios
feitos poesia.
Poesia forjada em sonhos,
ecos de madrugada,
versos de entardecer,
prolongamento de luz,
disfarçada nesta carne
que nos liga à alma,
meras palavras…
 
Por vezes, sem palavras
somos lágrimas,
lágrimas naufragadas
nas ondas de vida,
no mar de gritos sufocados
e nos vergões da alma.
 
Por vezes não somos
mais do que barulho,
barulho em forma
de duas solidões
na palma de uma mão
e fio de sentir
no fim da estrada,
em palavras que não sei dizer…
 
© António Carlos Santos
 

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(imagem retirada net)